Teoriastupidas



17 de dezembro, 2005

Dada. Sempre dada. Dada.
Estou à horas a pensar como dizer tudo o que tenho para dizer num único texto. Não é fácil, juntar numa prosa atraente tudo que tenho para dizer. Principalmente porque este espaço foi muito para mim. Fez-me sentir triste, fez-me sentir que podia mudar o mundo, fez-me chorar, fez-me perder horas em frente a um ecrã. Muitas horas, talvez até dias. Fez-me pensar duas vezes antes de escrever uma palavra, fez-me dar outro valor aos adjectivos. Acima de tudo fez-me crescer como pessoa. Maturação. Os erros foram expêriencias. Mas foi tempo demais. Em dois anos muita coisa mudou. Não sou mais aquela criança para a qual a única finalidade da vida é o riso. Infelizmente. Em dois anos cresci, maturei ideias, apaixonei-me, não fui eu, exprimentei o que tinha para exprimentar, não quis saber da minha vida, só me queria anular a mim mesmo, faltaram-me sítios onde me agarrar, emagreci, engordei, quis ser outra pessoa, quis tudo o que o ser humano pode querer, achei-me o maior, desapaixonei-me. Pelo menos acho que sim. Ao fim de dois anos não poderia mais ser o mesmo. Preciso de outro espaço, de outro conceito, de outra margem que aqui já não tenho. Tal como na minha vida. Curiosamente. Também nela preciso de outros objectivos, de outros planos, de outras balizas, de outras metas. Não tenho a certeza de que metas são essas nem de que forma as vou atingir - tal como não sei como vou expressar tudo o que vai dentro de mim, tudo o que me entope a garganta. Não sei. Mas. Já tentei várias vezes passar deste ponto. Não consigo. Enfim, este blog acaba aqui. Não promento estar menos alienado, não abandonarei os valores que me guiam desde que tenho consciência crítica, continuo a acreditar que o objectivo tanto da arte como do humor é provocar, continuo a ter orgasmos com os comentários do Marco Chagas nas etapas de alta montanha da volta à Itália, o tiro ao prato continua a ser o meu desporto favorito, continuo a idolatrar Kafka, o meu guia espiritual continua a ser o Batista Bastos e o CD que me acompanha para todo o lado ainda é "Os melhores discursos de Fidel Castro - segundo volume" (especialmente aquele discurso no dia do trabalhador '83 - belos tempos...). Continuo a não ter vida social e prometo lutar por eliminar o excesso de respeito que ainda tenho pelo próximo. Mas vou tentar soltar-me e rir quando alguém que eu respeite me disser que não passo de um monte de merda de camelo. Pelo menos tentar. Pelo menos. Tentar. Acho. Pois...
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